AFONSO LUIZ CIANCIULLI

                  Affonso Luiz Cianciulli

Nasceu em Montella, Província de Avellino, 
Itália, a 15 de dezembro de 1879. Brasileiro naturalizado, alistou-se na Força Pública do Estado de São Paulo aos 18 anos de idade, em 05 de julho de 1898, no 1° Batalhão - hoje Batalhão "Tobias de Aguiar". Concluído seu período de formação, solicitou sua movimentação para o Corpo de Bombeiros.

Como instrutor de ginástica e de técnica bombeirística, logo captou a confiança de seus camaradas. Realizou o Curso Complementar Literário e Científico, que concluiu em 1913 e participou de outros cursos de aperfeiçoamento ministrados pela I Missão Militar Francesa, galgando os postos da hierarquia militar até Tenente Coronel. Como Comandante do Corpo de Bombeiros, revelou grande eficiência, dando-lhe o sentido essencialmente técnico da bombeirística mundial, não só correspondendo-se com os principais Corpos de Bombeiros da Europa, mas também procurando aplicar o resultado de seus estudos e trocas de informações,
alertando a todos sobre a importância da Corporação como órgão de segurança, 
prevenção e proteção de vidas. 
Espirito culto e empreendedor, aficionado da mecânica e da eletricidade, escreveu o primeiro livro técnico de Bombeirística no país: "Noções Práticas do Serviço de Bombeiros" - 1915. Deixou importantes inventos no ramo de sua especialidade, podendo ser lembrados entre outros,a cesta de salvamento, a máscara protetora contra fumaça,a carretilha de salvação. 
O Auto -Bomba foi projetado e construído sob sua supervisão, aspirante premente 
"Independência", o primeiro carro, montado num chassis Merrywheather, tendo 
arcado pessoalmente com todas as despesas da construção e retirada da patente do mesmo,o mesmo acontecendo com os requintes suavizadores, precursores dos atualmente importados do tipo "fog". O referido auto-bomba constituiu-se na célula mater da incipiente indústria de material para extinção de incêndios no Brasil. Além do referido auto-bomba, Cianciulli idealizou e construiu nas próprias oficinas do Corpo de Bombeiros e sob sua supervisão pessoal, aparelhos de salvamento em edificios, poços, cisternas e outros locais confinados (Aparelhos CALC. n°s 1,2 e 3), desenhou e dirigiu a montagem sobre um chassis GM, do primeiro carro de salvação, destinado a busca e salvamento em águas interiores, poços, cisternas e reservatórios. 

Cianciulli foi também responsável pelo desenvolvimento de equipamento como 
aparelhos prontos para respiração artificial, ganchos para retirada de cadáveres, barco, bem como, escafandros desenhados e fabricados artesanalmente na vulcanização que existia no próprio Corpo, aproveitando-se para isso das câmaras de ar já inservíveis aos carros da Prontidão. Do mesmo modo desenhou, construiu e colocou em serviço a primeiraescada tripé destinada a retirar pessoas de poços ou locais profundos e de difícil acesso. 

Durante sua carreira como Oficial de Bombeiros, pontilhada de sacrifícios e 
perigos, teve o seu nome levado inúmeras vezes à manchete dos jornais, mercê 
do seu arrojo e desprendimento em prol de seus semelhantes. 

Em 1913, em um incêndio ocorrido na rua dos Imigrantes, o então Tenente Cianciulli, acompanhado pelo Sargento Álvaro Martins, sabedor da existência de uma criança no interior do edifício que ardia, mas sem uma informação mais precisa do local em que a vítima se encontrava, explorou o ambiente, com grande risco para sua integridade física, até localizar e salvar a criança, tendo 
inclusive se ferido na cabeça e baixado ao Hospital Militar. Tal ato, de grande repercussão, levou o Presidente Hermes da Fonseca a condecorá-lo com a Medalha de Distinção de Primeira Classe (Ouro) "Amor e Fraternidade".

Em outro episódio, o do Poço de Rocinha, quando fora soterrado, em 1914, o poceiro Cândido Isaias, o Capitão Cianciulli expôs sua vida, pois, a cada vez que descia, corria risco iminente de também lá ficar soterrado, face aos desmoronamentos gradativamente verificados. Na ânsia de sustentar a vida da 
vítima, presa numa mistura de saibro, argamassa e pedras, desceu inúmeras 
vezes ao interior do poço, a 23 metros de profundidade, para aplicar-lhe injeções e dar-lhe alimentação, muito embora a vítima não viesse a resistir ao trauma sofrido. 
Já como Comandante do Corpo de Bombeiros, no ano do 1" Centenário da Força Pública do Estado de São Paulo, em 1931, organizou e comandou, na Praça da Sé, a primeira demonstração do trabalho dos bombeiros paulistas ao público, num simulado de incêndio no edifício de "A Equitativa", o qual ainda existe. 
Ao longo de sua carreira, Cianciulli foi condecorado, além da medalha já citada, 
com as de Mérito Militar (Ouro), da Legalidade (Ouro) pela autuação que teve em defesa do poder constituído na Revolução de 1924 e do Comércio e Indústria de São Paulo, como reconhecimento aos seus trabalhos como Bombeiro. 

Reformado em 04 de março de 32, quando da eclosão do Movimento Constitucionalista apresentou-se voluntariamente, sendo designado para organizar e comandar a unidade de Engenheiros Sapadores, sediada no Parque da Água Branca e que inestimáveis serviços prestou a causa constitucionalista em todas as frentes de combate. Como decorrência dessa atividade, foi condecorado postumamente com as medalhas da "Constituição" e "M.M.D.C", outorgadas respectivamente pela Assembléia Legislativa de São Paulo e pela Sociedade Veteranos de 32 - MMDC. 

Já na inatividade da Corporação, exerceu a Presidência da Associação Auxiliadora das Classes Laboriosas e foi um dos articuladores da fundação da Associação dos Oficiais Reformados da Força Pública do Estado de São Paulo (hoje AORPM), de cuja primeira diretoria foi o Vice-Presidente. 

Aos 57 anos de idade, às 9 horas do dia 18 de outubro de 1936, vitimado por tumor cerebral, faleceu em quarto particular da Santa Casa de Misericórdia o Comandante Cianciulli. 

O Ten Cel PM Affonso Luiz Cianciulli foi casado com a Sra. Francisca Maria Cianciulli, de cuja união deixou um filho, o Dr. Pedro Luiz Cianciulli, Engenheiro Agrônomo, Professor universitário e pesquisador científico.


Pesquisador: Sgt Eduardo Marques de Magalhães 

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