COMO SE COMBATIA FOGO EM SÃO PAULO, ANTES DA CRIAÇÃO DO CORPO DE BOMBEIROS

Se a cidade de São Paulo já existia desde 1554, como se combatia o fogo até então?

Seguia-se o seguinte procedimento: mulheres, homens e crianças formavam uma fila que ia do poço mais próximo até o local do incêndio em questão. Passavam-se, então, baldes d’água de mão em mão, que eram usados para apagar o fogo. Da data da fundação da cidade até a fundação do corpo de bombeiros, só haviam sido registrados cinco incêndios de grande magnitude: um em 1850, na antiga Rua do Rosário, apagado com uma bomba manual emprestada pelo francês Marcelino Gerard; outro em 1861, em uma livraria na Rua do Carmo; o terceiro em 1863, em uma loja de ferragens na Rua do Comércio; um em 1870, quando um barril de pólvora explodiu no centro da cidade, e o último em 1880, na Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, que foi o estopim para a fundação do Corpo de Bombeiros de São Paulo.
A Lei n°6 de 10 de Março de 1880 autorizou o governo da província de São Paulo a organizar uma seção de bombeiros, anexa À Companhia de Urbanos da capital, e a comprar os instrumentos próprios para a extinção de incêndios(bombas d’água, pipas e mangueiras). Uma bomba capaz de projetar água ao telhado de um prédio de dois andares foi doada pelo Governo Imperial. Determinou-se que os avisos de incêndio seriam dados pelos sinos das igrejas locais ao Corpo de Bombeiros de São Paulo.

No relatório à Assembléia Provincial, datado de 13 de janeiro de 1881, o presidente da província Laurindo Abelardo de Brito dizia: "A cada incêndio que, felizmente, rara vez alarma a população desta capital, mas para que já era tempo de estarmos preparados, atento o aumento de fogos, a acumulação de habitantes e a importância dos prédios, ouvia-se um clamor geral contra a imprevisão que deixava, por falta de máquinas e aparelhos necessários, a cidade exposta à devastação pelo incêndio, quando este tomasse proporções que exigissem o emprego de máquinas mais potentes que as bombas de jardim e deslocação de água mais prontamente do que pelos baldes dos carroceiros.
Autorizado pela Lei n°6 de 10 de Março de 1880, organizei, anexa à Companhia de Urbanos, uma seção de bombeiros para a extinção de incêndios, dando-lhe regulamento com data de 7 de julho.
O pessoal da seção compõe-se do alferes comandante, e de 20 praças da Companhia de Urbanos. Tem uniforme especial para, em serviço de sua especialidade, e na confusão de circunstâncias excepcionais, não se confundirem com outras praças.

Pesquisador: Sgt Eduardo Marques de Magalhães 

Comentários