O CORPO DE BOMBEIROS QUE EU VI
Quando, em 1908, ingressou no Corpo de Bombeiros de São Paulo, a Força Pública do Estado de que foi parte integrante, atingia sua idade de ouro, realmente explendorosa.
Assim, ao soar a campainha de alarma, instalada no pátio do quartel, as parelhas de muares amestradas, abandonavam as baias onde permaneciam arreadas, indo colocar-se no varal da viatura que deviam conduzir.
Não erravam. Dentro de segundos, as guarnições a postos, cada bombeiro no seu lugar, em cada veículo o archote de querosene aceso, derramando em torno uma claridade baça, avermelhada, rompia-se o cortejo em disparada infrene, pela noite a dentro.
O primeiro a partir era o carro de mangueiras, leve, veloz, com o oficial de prontidão ao lado
do cocheiro, o corneteiro à esquerda; seguia-se-lhe a bomba a vapor, desprendendo fagulhas da caldeira acesa, fazendo pressão; outros a acompanhavam: o carro de materiais, o transporte de pessoal, a escada “Magyrus”, a pipa d’água.
Era uma cena indescritível, plena de lances de temeridade e de anseios, agravada ainda com as notas dolorosas e arrepiantes do toque de alama que o corneteiro fazia vibrar na noite imensa.
Já se encontrava no local do sinistro, o comandante Neiva, que o seu carro “Vitória” transportara, rápido. Já abrangera com o olhar de mestre todo o cenário da luta. Medira as proporções do incêndio, investigara sobre a matéria em combustão, o lugar onde começara.
De ponto favorável ia distribuindo as guarnições, à medida que o material chegava, dando ordens que o corneteiro repetia em notas cristalinas.
Terminado o serviço, recolhiam-se os bombeiros ao quartel, alegres, em festa, certos de haverem agradado ao chefe.
Sabiam que no dia seguinte a “ordem do dia” diria da satisfação que o dominava, pela boa vontade, pelo esforço, pelo espírito de sacrifício que em cada qual notara durante a refrega. Este o único prémio a que todos almejavam.
Texto da revista IHGSP - vol. 48
Pesquisador: Sgt Eduardo Marques de Magalhães
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