INCÊNDIO CASA MAPPIN STORY
20/01/1922 - Eram meio dia, nuvens negras subiam do último andar do prédio onde se achava instalada a Casa Mappin Stores, à rua Direita, esquina da rua São Bento. Tratava-se evidentemente de um incêndio. Começou a aglomeração de populares, de modo a interromper de súbito o trânsito nos quatro cantos.
Não tardaram a aparecer os automóveis do Corpo de Bombeiros com o seu característico estardalhaço. A esse tempo já da rua se percebiam inúmeras línguas de fogo, no alto do grandioso edifício. O sinistro rapidamente se desenvolvia, tomando proporções assustadoras.
Iniciadas as providências, foram extendidas várias linhas de mangueiras, ligadas aos hidrantes da rua Quitanda, Direita e São Bento, que não puderam funcionar devido a falta de água.
Diante disso os bombeiros trataram de cortar os madeiramentos do prédio, isolando-o assim dos prédios visinhos. O fogo lavrava com intensidade, por isso foi pedido auxílio dos destacamentos de bombeiros do Norte e Oeste.
A água não tinha força para alcançar o fogo. Limitava-se a rescaldar os pavimentos inferiores, afim de impedir que estes fossem também tomados pelas chamas. Era baldado o esforço dos denodados bombeiros. Demais, eles a bem dizer se desnorteavam no seu ingrato trabalho, dada a violência sempre crescente do fogo e dada igualmente, a pouca ou quase nenhuma pressão da água.
O fogo felizmente, foi circunscrito à parte do edifício situado na rua Direita. O esforço do Corpo de Bombeiros logrou isolar a Casa Birle e a parte traseira do Mappin Stores, à rua da Quitanda e mesmo a rua de São Bento.
Para esse fim foram extendidas cinco linhas de mangueiras com as respectivas ramificações, sendo postos a funcionar dois auto bombas, um á esquerda da rua Direita com a rua de São Bento e outro na rua da Quitanda. O incêndio foi assim, atacado ao mesmo tempo pela frente, flancos e fundo do prédio.
Os bombeiros tiveram que lutar com grandes dificuldades para iniciar o ataque ao fogo, pois apesar de haverem armado duas escadas Magirus, uma na rua de São Bento e a outra na rua Direita, viam-se na impossibilidade de penetrar no 4° andar, porque constantemente caiam grandes estilhaços de ardósia do telhado, arrebentada pelo calor do fogo.
O telhado do edifício caiu logo aos primeiros momentos do incêndio, causando pânico entre a multidão de curiosos que afluira no local.
A luta para extinção do fogo durou cerca de uma hora, mostrando-se os bombeiros incansáveis e obedecendo com precisão e presteza a todas as ordens superiores. Dominado completamente o incêndio e não havendo mais riscos, retiraram-se os bombeiros, ficando apenas uma turma no local encarregada do rescaldo, a qual trabalhou todo o resto da tarde e pela noite a dentro.
Coordenaram os trabalhos dos bombeiros os tenentes coronéis Siqueira e Afro Marcondes de Resende, que foram auxiliados pelo capitão Alexandre.
O incêndio se produziu devido ao fato de haverem sido deixados sobre uma mesa da seção de alfaiataria de senhoras (terceiro andar), dois ferros de passar a carvão e um elétrico, em atividade e virem eles a começar o fogo na mesa em que se achavam.
Em nota de agradecimento a Casa Mappin Stores, na pessoa do sr Antônio Sabetta, elogiou o heroísmo e abnegação do valoroso Corpo de Bombeiros, que apesar da "Falta D'água", conseguiram isolar o incêndio, salvando assim a sua Casa Mappin, que representava um esforço de anos de trabalho.
"Ontem Hoje e Sempre"
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