TEATRO POLYTHEAMA EM CHAMAS

Localizado na antiga Ladeira do Acu, depois Rua de São João (atual Avenida São João), era uma rua estreita de velhas quitandas e botequins que ladeavam o Teatro Polytheama, que trazia a paisagem bucólica de fogareiros de lata de querosene na porta, assando castanhas, costume herdado da colonização portuguesa.
Registra-se sobre o edifício do Teatro Polytheama, como um grande barracão acaçapado, coberto de zinco, com uma pequena porta de acesso na Rua São João, à altura da Avenida Anhangabaú, outra porta de serviço, na Rua Formosa. O barracão de zinco tinha sido construído para abrigar o circo de Frank Brown. Apesar de seu prédio sem glamour, era o teatro de melhor acústica de São Paulo. 
O Polytheama foi palco dos melhores espetáculos que marcaram culturalmente a cidade, em especial o Vale do Anhangabaú, que a partir dele tornou-se sede da vida noturna da Paulicéia. Nele efetuaram-se os mais diversos gêneros de espetáculos: cafés-concerto, circenses, atuações de grandes companhias estrangeiras de todos os gêneros, dramático, lírico e de opereta. 

O Polytheama foi a casa de espetáculos que mais caracterizou a cultura tipicamente paulistana da época.
Em 29/12/1914 - Pouco depois das 16 horas, terminara neste velho Teatro de São Paulo, a sua costumada "matinê". Os expectadores retiraram-se. A guarnição do Corpo de Bombeiros, nada tendo que fazer, também se retirou. Somente dois empregados , na caixa, procediam a reparos no motor elétrico de transformação de energia. Eram eles o eletricista Francisco Levato e o ajudante Augusto de Moura.

Não tendo isolado a corrente transmissora de energia elétrica, os empregados continuavam no seu mister, quando sentiram um estalido nas respectivas instalações. Imediatamente o fogo se declarou no palco e prosseguiu. Não demorou que às chamas rompensem o teto do antigo casarão.

O teto abateu com estrondo e as labaredas, já livres, surgiram nos ares envolta com uma nuvem negra de fumo. O Polytheama ardia.
Ao mesmo tempo, as 16:30, os rondantes das proximidades do incêndio deram alarme aos bombeiros pelas caixas, 21 e 23, situadas, respectivamente, a rua Líbero Badaró, esquina da travessa do Grande Hotel e rua Formosa, esquina da rua de São João.

A estação Central dos bombeiros acudia com a sua primeira prontidão de automóveis, sob as ordens do Capitão José Joaquim da Costa, fazendo o percurso até a rua Líbero Badaró no espaço de seis minutos.

A estação D'Oeste igualmente não tardou a comparecer, com o material de tração animal, dirigindo o serviço o alferes Gaia.

Os bombeiros, com dificuldade, devido ao estado em que se acha aquele trecho em obras da rua de São João, instalaram os seus materiais afim de combater o fogo pela frente. Então este assumia proporções colossais, pondo uma nota de destruição no meio da quietude da cidade em repouso.
Na esquina da rua de São João com a Líbero Badaró, foi ligado o auto bomba n° 1, ao hidrante ali existente, fornecendo em duas linhas, quatro derivações abundantes de água.
Deu-se começo vigorosamente a extinção do violento Incêndio. A guarnição D'Oeste, com a bomba a vapor n° 5, preparou-se para funcionar na esquina da rua do Seminário com a rua Anhangabaú, dali partindo duas linhas diferentes, dispostas ao flanco do Polytheama, do lado da rua Formosa.

Tornando-se necessário que o fogo fosse atacado também pelos fundos do pardieiro, foi chamada a segunda prontidão da estação Central, que sob o comando do Tenente Guimarães, logo compareceu. Embaixo do viaduto do Chá, foi armada a bomba a vapor n° 8, com duas ramificações dos esguichos, funcionando sem intermitências.
Na rua do Seminário, canto da rua Anhangabaú, foi colocada a bomba n° 5. Ao todo foram distendidos mil e duzentos metros de mangueiras. A água jorrou copiosamente por todos os lados, caindo sobre o zinco incandescente.

Enquanto se aprestavam os bombeiros, o fogo ganhava intencidade assustadora, chegando a provocar sobresalto aos moradores dos prédios da rua Formosa. As chamas levadas pelo vento, batiam nas suas frontarias, partindo os vidros e propagando o fogo as cortinas das janelas.

Houve nesse instante um movimento de panico entre a multidão de curiosos que se aglomerava naquelas redondezas, mas a polícia vigilante, sob a direção do dr Artur Rudge, imediatamente deu providências, para evitar atropelos.

Os bombeiros redobraram então os seus esforços. Durante trinta minutos houve uma luta humana colossal contra o elemento destruidor. Ao depois, só se via fumo desprendendo-se dos escombros.

O Polytheama já não existia, restando apenas o zinco que o guarnecia. Os bombeiros começaram então a remover o zinco para facilitar o resto da extinção, que só foi dada por concluída às 19 horas. Meia hora depois os bombeiros regressaram aos quartéis.
Dirigiu o serviço de extinção o tenente coronel Soares Neiva, que teve o auxílio de todos os oficiais daquela corporação.

Pesquisador: Sgt Eduardo Marques de Magalhães 

                

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