O BESOURO DA CHAMINÉ - A CIGARRA E O GONGO
Na década de 1940, com o crescimento da cidade e o uso cada vez mais restrito do telegrafo, o sistema Gamewell foi aos poucos se extinguindo, porém perdurou até o ano de 1956. As solicitações de socorro passaram a ser transmitidas principalmente por telefone, e os bombeiros de prontidão eram acionados pelo corneteiro.
Nessa época, foi adquirido da Inglaterra um alarme sonoro de grande potência auditiva para a Estação Central, localizada na rua Anita Garibaldi, 155, na Sé. Esse alarme consistia de uma corneta de grande porte acionada por um compressor de ar, apelidado pelos bombeiros da época de "Besouro da Chamine" ou "Urro da Chamine".
As prontidões das demais Estações de Bombeiros existentes, a Estação Norte, localizada na rua do Hipódromo, 168, e a Estação Oeste, localizada na alameda Barão de Piracicaba, 16, continuaram a ser acionadas pelos corneteiros.
O 2º Ten Res PM Alberto Cândido Saldo, que serviu o Corpo de Bombeiros em 1943, conta que para cada tipo de ocorrência era dado um número de toques nesse alarme.
- Se fosse tocado uma única vez, a ocorrência era de pequeno porte, apelidada de "Chaminé", e era acionada uma única viatura.
- Se fossem dados dois toques, a ocorrência era de médio porte, com mais de uma viatura empregada.
- Com três toques, era incêndio de grande porte e toda a Estação era acionada.
Segundo ele, o toque do alarme era tão alto que podia ser facilmente ouvido no bairro da Aclimação. Esse sistema foi abandonado no início da década de 1960, devido à falta de manutenção e às constantes reclamações da população quanto ao barulho ensurdecedor gerado pelo alarme.
Na década de 1960, o Corpo de Bombeiros já se fazia presente em vários pontos da capital e no interior do Estado. O Decreto Estadual nº 42.141, de julho de 1963, em seu Capítulo IV, Subseção V, cria a Seção de Comunicações. Nessa época, em alguns postos, foi implantado um código de alarme com uso de dois tipos de campainha: tipo "cigarra" e tipo "gongo".
O primeiro e o segundo toques da campainha tipo "cigarra" correspondiam respectivamente ao primeiro e segundo socorros de incêndio; os toques na campainha tipo "gongo" correspondiam a ocorrências de salvamento, um toque para ocorrência em água, dois toques para ocorrência em terra e três toques para ocorrência em poço.
Pesquisador: Sgt Eduardo Marques de Magalhães
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